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Vinícius Jr, nova jóia do flamengo

Primeira ficha de Vinicius Junior, na escolinha do Flamengo em São Gonçalo (Foto: André Durão)
Vinicius José Paixão de Oliveira Júnior ou, simplesmente, Vinicius Júnior. Você já deve ter ouvido falar desse nome, né? Depois de ganhar repercussão nacional com as boas atuações na Copa São Paulo pelo Flamengo, a promessa de 16 anos chamou a atenção do mundo ao ser o destaque da seleção brasileira no título do Sul-Americano sub-17. Mas um episódio em especial ajudou bastante no estouro repentino: os três chapéus (balões, lençóis, como preferirem) contra o Equador.
Vinicius Junior dá chapéu em partida de futsal no Canto do Rio
O lance não foi fortuito. Desde criança, o rubro-negro, cobiçado pelo Barcelona, sempre foi driblador. E fomos atrás de suas origens para saber onde o garoto franzino começou a dar seus primeiros chapéus, como este do vídeo acima. Não só chapéus, como também canetas, pedaladas e outros dribles que o renderam comparações com outro jogador: Robinho.
- Ele dava balão direto. Essa ousadia vem desde cedo. Sempre foi alegre dentro de campo, solto. Sempre deixamos ele à vontade também, para não travá-lo, porque isso é um diferencial dele. Teve uma vez, na época do sub-11 que fizemos um amistoso e colocamos ele para jogar contra o sub-13. Ele deu um balão desses aí, arrebentou nesse jogo. E quando acabou, as crianças começaram a brincar com ele, a chamá-lo de Robinho e a pedir autógrafo. Foi muito engraçado! - disse Cacau, seu primeiro professor de futebol.
 
Primeira ficha de Vinicius Junior, na escolinha do Flamengo em São Gonçalo (Foto: André Durão)
Tudo começou em 2006, quando o pai de Vinicius o levou a uma das 125 escolinhas filiais do Flamengo pelo Brasil, próxima de sua casa, no bairro do Mutuá, em São Gonçalo, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Começava ali uma ligação que uma década depois começa a render os primeiros frutos.
Sua primeira ficha técnica não nega: em pouco mais de dez anos, muita coisa mudou. Não só as feições infantis. Na época, seu ídolo era Robinho, seu jogador favorito era Renato e sua posição era a lateral-esquerda. Rapidamente, Vinicius virou atacante, artilheiro. Hoje, sua maior referência é Neymar. E, em breve, tudo indica que ele é quem será o atleta favorito da molecada.strutura familiar favorece crescimento
A família de Vinicius sempre foi humilde. Tanto no aspecto financeiro, quanto de personalidade. Fome, graças ao suor do pai Vinicius e da mai Fernanda, nunca passou. A única fome do garoto era a de bola.
- Nas férias, as crianças sempre foram muito de soltar cafifa, às vezes faltavam, mas ele gostava é de jogar bola mesmo. Vinha para cá, treinava no horário dos mais velhos, depois treinava no horário dele… Se deixasse ele treinava em todos os horários. Sempre foi muito fominha de bola - conta Valéria Beraldini, esposa de Cacau, com quem dirige a escolinha do Fla em São Gonçalo.
Vinicius Junior com o pai Vinicius, a mãe Fernanda, o irmão José e a sobrinha Jamile, filha da irmã Alessandra (Foto: Arquivo Pessoal) Vinicius Junior com o pai Vinicius, a mãe Fernanda, o irmão José e a sobrinha Jamile, filha da irmã Alessandra (Foto: Arquivo Pessoal) Vinicius Junior com o pai Vinicius, a mãe Fernanda, o irmão José e a sobrinha Jamile, filha da irmã Alessandra (Foto: Arquivo Pessoal)
Segundo os professores, aliás, os pais estão dando a estrutura necessária para que o garoto possa começar a trilhar o caminho de sucesso no futebol. E isso reflete diretamente na personalidade humilde de Vinicius.
- Víamos qualidades para ele virar profissional. Mas lógico que é um processo longo. Um processo que depende não só da parte dentro do campo, como também da de fora. Para isso, a estrutura familiar é fundamental para um atleta. E a família dele é sensacional. O pai dele está sempre junto dele para não deixar que as coisas se desviem. Já vi muitos meninos tomarem outros caminhos. Às vezes cria-se uma ilusão muito grande e perde-se o foco. Mas o Vinicius é muito focado, sempre quis muito tudo isso que está acontecendo com ele. Ele treinava muito, se deixássemos, ele treinaria em todas as categorias. Fominha mesmo. O querer dele é muito grande. Isso temos certeza. Sempre sentíamos nele essa diferença: o querer. Ele quer muito. Ele gosta muito do que faz. Acho que o sucesso dele vem muito disso - disse Cacau.
- Ele tem que agradecer muito a mãe dele. Não fosse ela, ele não seria o Vinicius não. Com chuva, esperando neném, ela fazia quentinha, levava no ônibus… - complementa Jorge Luis, o Patinho, que treinou o garoto no time de futsal do Canto do Rio.
Vinicius Junior com Valéria e Cacau na escolinha do Flamengo em São Gonçalo (Foto: Arquivo pessoal) Vinicius Junior com Valéria e Cacau na escolinha do Flamengo em São Gonçalo (Foto: Arquivo pessoal)
Vinicius Junior com Valéria e Cacau na escolinha do Flamengo em São Gonçalo (Foto: Arquivo pessoal)

Campo ou salão?

A fome de bola era tanta que, em 2007, Vinicius passou a conciliar os treinos na escolinha do Fla em São Gonçalo com aulas de futsal no Canto do Rio, um famoso clube localizado no centro de Niterói. Lá, ficou até 2010.
- Quando ele chegou, o testei. Eu tinha a mania de pegar uma bola e jogar para o alto para ver como o garoto dominava. “Ô Vinicius, segura essa bola”. Aí ele matou e tocou para mim e eu falei “Ih… Acho que vai dar caldo, hein” - disse Patinho, professor dele no Canto do Rio.
Renan, Patinho, Arthur e João Batista, que conheceram Vinicius Junior no Canto do Rio (Foto: André Durão)    Renan, Patinho, Arthur e João Batista, que conheceram Vinicius Junior no Canto do Rio (Foto: André Durão)
  Vinicius aprimorou os dribles em pequenos espaços, a agilidade e os reflexos que hoje o ajudam no campo. No Canto do Rio, fez parte do imparável time “chupetinha”, o sub-7, com outros garotos como Arthur, Renan e Cadinho.
- Podia vir qualquer time para encarar que a gente ganhava. Fácil - lembra o treinador.
- Ele jogava muito, só que tinha fome de bola, só queria estar com a bola no pé! - brinca Renan, que atualmente joga futebol de campo no Canto do Rio e dividiu ataque e artilharias com Vinicius na época.
- Eu pegava a bola e tocava para frente, que ele pegava e resolvia. O problema era no treino, que eu tinha que marcar ele. Só dava para parar com falta, mas não podia machucá-lo. Aí tinha que deixar fazer o gol mesmo - recorda Arthur, beque e capitão no saudoso sub-7 de Niterói.


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